Algumas dezenas de taxistas protestaram
hoje, em Bragança, contra a perda de exclusividade do transporte de
doentes não urgentes que alegam porá em causa o futuro de perto de uma
centena de profissionais que vive praticamente deste serviço.

Os taxistas do distrito transmontano decidiram organizar um protesto
solidário com a concentração que decorreu, durante a manhã, na capital,
mas a nível local, porque "de Bragança a Lisboa são 500 quilómetros" e
não têm dinheiro para gastar em combustível, como explicou Marcelino
Ferreira, delegado distrital da ANTRAL (Associação Nacional dos
Transportadores em Automóveis Ligeiros).
O motivo do descontentamento é o mesmo: a nova portaria governamental
que permite o transporte de doentes não urgentes, até agora feito
apenas por táxis e ambulâncias, em carrinhas particulares de nove
lugares.
Os taxistas alegam que já fazem transporte de doentes há muitos anos,
pago pelo Serviço Nacional de Saúde, pelo que contestam a imposição da
nova lei que os obrigará a tirar um alvará que custa 200 euros e a fazer
formação no INEM para continuarem a prestar o serviço, segundo o
delegado da ANTRAL.
"Se nós já somos transportadores, não se justifica um novo alvará",
reiterou, lembrando que esta exigência acresce ao alvará e licença
inerentes à profissão.
Acresce ainda que um táxi que transporta apenas quatro pessoas não
vai conseguir concorrer com as carrinhas particulares de nove lugares,
como salientou António Belchior, taxista de Mirandela e que se deslocou a
Bragança para participar no protesto.
Segundo este taxista, no distrito de Bragança "andam diariamente, em
média, entre 90 a 100" profissionais a transportar doentes
hemodialisados.
"Se esta lei for adiante, imagine quanta gente vai para o desemprego", questionou.
Em casa de Arnaldo Pires, taxista há 40 anos, serão "quatro pessoas"
que perdem o sustento, segundo o próprio, já que toda a família trabalha
e depende dos três táxis e um autocarro.
"Venho aqui porque me sinto indignado pela ordem do senhor ministro
da Saúde, porque já há 20 anos que transportamos hemodialisados e agora
querem montar empresas com alvarás do INEM", afirmou.
O delegado da ANTRAL contou "entre 30 a 40 táxis" no protesto que
começou com uma concentração junto à Câmara de Bragança e seguiu em
marcha lenta pelas ruas da cidade.